Apesar de muito novo, o Museu Cais do Sertão — inaugurado em 3 de abril de 2014 — guarda em seu acervo uma história rica culturalmente que passa por muitos anos. Falar deste espaço é primeiramente conhecer o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que “transita” por todos os espaços e que deu início a criação do Museu.

O nome “Cais do Sertão” se deu porque ele está localizado na beira da água, junto ao Marco Zero, onde nasceu a cidade do Recife, e por abrigar toda a riqueza do sertão nordestino. O prédio tem arquitetura surpreendente. São 7 mil metros quadrados de área construída; 6 metros de altura, um grande vão para passagem dos pedestres, além de detalhes de cores, alvenaria e decoração. Foi tudo milimetricamente pensado.

Para a sua concepção e desenvolvimento, o museu contou com um grupo de especialistas. O local tem um conceito de espaço dinâmico de convivência, diversão e conhecimento, polo gerador de ideias e vivências. A equipe de criação envolve nomes como Tom Zé, José Miguel Wisnik, Antônio Risério, Frederico Pernambucano de Mello, entre outros. Cineastas pernambucanos como Kleber Mendonça Filho, Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Marcelo Gomes e Camilo Cavalcanti, além do xilogravurista e cordelista J. Borges estão entre os que produziram conteúdo para compor o acervo.

No térreo, um “Rio São Francisco” corta todo o Museu e o divide em sete territórios temáticos: Viver, Trabalhar, Ocupar, Cantar, Criar, Crer e Migrar. Cada ambiente remete aos principais aspectos do dia a dia do sertanejo, oferecendo ao visitante a oportunidade de se locomover pelo espaço e interagir com os artefatos expositivos.
Objetos reais misturam-se a projeções; chapéus, gibões e sanfonas dialogam com karaokês sertanejos, estúdios de gravação e oficinas de instrumentos de onde brotam velhos e novos baiões; barcos, instrumentos de trabalho e antenas parabólicas complementam estações interativas; objetos de arte e religiosos dividem espaço com um imenso acervo de canções.

De forma lúdica e utilizando os mais variados e modernos recursos expositivos e tecnológicos, o novo museu vem falar do sertão de Gonzaga e de milhões de brasileiros. Qualquer pessoa poderá assistir a filmes, peças e espetáculos, poderá interagir com jogos desafiantes, fazer cursos, criar músicas, ou simplesmente conhecer o desconhecido. O Cais é um importante espaço de convivência entre iguais e diferentes, como ele mesmo se define.

Falar de Luiz Gonzaga é falar de música, de arte, de cultura, de boas histórias. O compositor e cantor nasceu na cidade de Exu, povoado do Araripe, em 13 de dezembro de 1912. Herdou do pai, Januário José dos Santos, a paixão pela sanfona e deixou para o filho, Gonzaguinha, o legado de cantar as alegrias e tristezas do povo do Sertão Nordestino.

Sempre acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o Sertão Nordestino, ao resto do país, numa época em que a maioria desconhecia o baião, o xote e o xaxado. Após sua primeira contratação pela Rádio Nacional, surgiu a ideia de apresentar-se vestido de vaqueiro, figurino que o consagrou como artista.

Luiz Gonzaga morreu aos 76 anos em Recife, Pernambuco. Genial instrumentista e inventor de melodias, levou inspirado pela vida sertaneja a cultura nordestina ao redor do mundo.

Vem com a gente conhecer um pouco mais dessa história!

 

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