A pequena cidade de Itabira, em Minas Gerais, guarda uma riqueza inenarrável: a vida e obra de um dos poetas mais expressivos do Brasil. Carlos Drummond de Andrade está mais vivo do que nunca em suas poesias, em seus desenhos (sim, ele fazia caricatura), em seus escritos e em seus objetos pessoais. E o Conhecendo Museus visitou o local e vai mostrar tudo a você.

O Memorial por si só já é uma obra de arte que merece ser visitada. Do lado de fora, uma poética vista de Itabira faz pano de fundo para sua estátua em bronze. Construído em uma área de aproximadamente 2 mil metros, o projeto, desenvolvido por Oscar Niemeyer, grande amigo do poeta, tem formato curvilíneo, um desafio para os engenheiros e mestres de obras acostumados a planos retos. Para tirar o projeto do papel, eles tiveram que usar ferramentas e métodos que fizessem o prédio ser curvado.

Abriga um grande acervo sobre a vida de Drummond, doados pela Fundação Cultural do Banco do Brasil, pela biblioteca da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, familiares e amigos. Lá, estão a primeira máquina de datilografia do poeta-cronista; uma coleção de cartas, recebidas de grandes autores e familiares; prêmios literários e obras de artes feitas em sua homenagem, rádio de pilha.

O visitante também pode conhecer um exemplar da revista que ele gostava de ler na infância e certificados do colégio em que estudou; cartas em que ele trocava com os amigos da pequena cidade, os poemas que não foram publicados e o recadinho da mãe, que de tão valioso ficou guardado até amarelar.

Os recortes das crônicas que o poeta escreveu para o Jornal “O Cometa” foram emolduradas na parede. Elas tiveram significado importante na vida do poeta. O jornal surgiu em 1979 quando a relação entre Drummond e a cidade estava estremecida, por causa da interpretação distorcida de uma das frases do poema “Confidência do Itabirano”, que diz: “Itabira é apenas um retrato na parede”. Ainda bem que tudo foi resolvido!

Ao acompanhar este programa especial, você também vai conferir a mostra assinada pela artista plástica Sandra Bianchi, que apresenta a biografia do poeta por meio de delicadas aquarelas.

Ah, e um detalhe curioso: localizado em um ponto privilegiado da cidade, para chegar ao Memorial é preciso percorrer uma estradinha de pedras. Carro só pode entrar com autorização da direção do museu. Para o visitante, a dica é ir a pé e deixar o carro na praça que fica ao lado do Memorial.

Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos mais importantes poetas brasileiros. Nasceu na cidade mineira de Itabira em 31 de outubro de 1902 e morreu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1987.

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