“Se for de paz, pode entrar”. Com este lema, adentramos na Fundação Casa Jorge Amado, localizada no coração da Bahia: o Largo do Pelourinho. Em um casarão grande e azul, estão guardados os acervos bibliográficos e artísticos desse grande escritor brasileiro reconhecido internacionalmente por suas histórias fantásticas. Lá, também encontramos os escritos e fotografias de sua querida esposa, dona Zélia Gattai.

Ao comemorar 70 anos de idade e 50 anos de literatura, em 1982, muitas instituições no Brasil e no exterior faziam pressão para que o autor doasse seu acervo literário, para que pudesse ser melhor preservado e estudado. Mas sua mulher se opunha à ideia, afirmando que o acervo pertencia aos baianos e, portanto, deveria ficar na Bahia. E assim foi feito.

Em 1986, foi criada a Fundação Casa de Jorge Amado, que seria inaugurada no dia 7 de março do ano seguinte, contando com a colaboração fundamental da escritora Zélia Gattai e da escritora Myriam Fraga. Jorge e Zélia puderam, em vida, frequentar a instituição estabelecida em sua homenagem. “O que desejo é que nesta casa o sentido da vida da Bahia esteja presente e que isso seja o sentimento de sua existência”.

A Casa de Jorge Amado conta com uma exposição permanente de documentos, fotografias, livros, suas apropriações populares, adaptações e objetos diversos. Também estão expostos prêmios recebidos por Jorge e fotos tiradas por Zélia Gattai, documentando o dia a dia do autor. Para Jorge Amado, a Casa não deveria jamais se transformar em depósito de documentos, mas se constituir cada vez mais em um permanente centro vivo e atuante.

Em um dos ambientes mais importantes encontramos a Divisão de Pesquisa e Documentação. O acervo abrange um período que vai de 1932 até os dias atuais. Guarda cerca de 250 mil documentos, e está dividido em 3 coleções: o Fundo Jorge Amado; o Fundo Zélia Gattai; e o Fundo da própria Fundação. Ali estão os originais de livros importantes como, por exemplo, o original do livro “Tocaia Grande”, ou “Gabriela Cravo e Canela” ou mesmo “Tieta do Agreste”.

Por meio do programa editorial “Casa de Palavras”, a Fundação atua também na edição de livros. O objetivo é estimular e desenvolver a produção literária de novos escritores. A instituição realiza também cursos, seminários, oficinas, ciclos de conferências, palestras, lançamentos de livros e discos e exposições, individualmente e em colaboração com outras instituições. Com 27 anos de existência, a Fundação já se consolidou como centro dinâmico e produtor de cultura na Bahia.

Também fomos conhecer a casa onde viveu Jorge Amado e Zélia Gattai, no bairro Rio Vermelho, em Salvador. “Em nossa Casa do Rio Vermelho, casa simples como nós, chão de lajotas e telha vã, feita com a colaboração dos artistas da Bahia, Jorge montou seu quartel-general”, destacou Zélia em um de seus textos. A Casa foi inaugurada no dia 7 de novembro de 2014. Em cada detalhe está escrita e preservada a história da família Amado.

No local, vários espaços especiais, entre eles: “Memórias de Dona Lalu”, mãe de Jorge Amado; o “Viajantes”, onde podemos conhecer o espírito aventureiro do escritor ao passar por vários países e trazer obras de artes que estão expostas no local; uma exposição de sapos. Sim, ele colecionada sapos. O espaço “Amores e Amantes” é o principal da casa. É onde está o quarto do casal. Zélia conheceu Jorge em 1945 e a paixão foi fulminante, nunca mais se largaram. Sobre a cama, uma colcha tricotada por Zélia Gattai com ilustrações na projeção de Calasans Neto, Caribé, Floriano Teixeira.

O espaço “Zélia Gattai, companheira graças a Deus” é uma homenagem especial à esposa. Ali encontramos detalhes importantes das roupas expostas, a vitrine de “bonecos” que a neta Maria João fez em homenagem à avó. Também vemos o primeiro livro de Zélia, que foi escrito aos 63 anos de idade e que se chamava Anarquistas, Graças a Deus, e que partir daí não parou mais de escrever. Também está no local uma pequena câmara escura, onde uma “caixa mágica” foi montada, projetando a encenação de seu primeiro livro.

No amplo e arborizado quintal da casa, em torno dos bancos de azulejos onde Jorge e Zélia gostavam de sentar, está exposto um testamento e sob ele repousam as cinzas do casal. “Sento-me contigo no banco de azulejos, à sombra da mangueira, esperando a noite chegar para cobrir de estrelas teus cabelos, Zélia de Euá, envolta em lua, dá-me tua mão, sorri teu sorriso, me rejubilo no teu beijo, laurel e recompensa. ”

A Casa do Rio Vermelho é uma obra que encanta, repleta de arte por todos os lados. Uma Casa que expressa em todos os espaços a vida e a obra do casal Jorge Amado e Zélia Gattai.

Excêntrico e criativo! Assim começamos essa breve descrição de uma figura brasileira muito carismática e que ficou conhecida em todo mundo por projetar, construir e voar nos primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Aliás, até hoje ele é citado nos livros escolares pela sua genialidade. Estamos falando de Alberto Santos Dumont (1873-1932), um aeronauta, esportista e inventor brasileiro.

Assim, o Conhecendo Museus foi até a belíssima cidade de Petrópolis, localizada na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, para conhecer a “A Encantada”. Isso mesmo! O Museu Casa de Santos Dumont é uma construção de 1918. É um tipo de chalé alpino francês encravado em um terreno íngreme e que foi projetado em peça única, com três andares e um terraço. Pela criatividade, formas geométricas e avesso ao luxo e ao desperdício, Dumont deu esse nome à sua obra residencial encantando literalmente a todos.

O museu conta com acervo de objetos, livros, cartas e mobiliário, bem como o chuveiro e a escada de entrada, com degraus em forma de raquete, que só se pode acessar começando com o pé direito. No Centro Cultural 14 bis, anexo à Casa, podemos assistir a um curta metragem sobre Santos Dumont. O espaço tem acessibilidade e maquetes táteis para visitantes com necessidades especiais. Vale ressaltar que a Casa foi projetada por Santos Dumont com a participação do engenheiro Eduardo Pederneiras e foi tombada pelo IPHAN em 14 de julho de 1952 e hoje faz parte do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Em nossa visita, vamos apresentar a vocês a oficina e laboratório onde Santos Dumont trabalhava; uma sala que tinha múltiplas funções, pois servia de biblioteca, escritório, sala de refeição. Aliás, era uma característica do local, já que ele aproveitava bem todos os espaços. Sabe o chapéu panamá que ele tanto usava? Você vai ficar surpreso com o que aconteceu com ele para ficar com aquele formato. Vamos mostrar também o presente que a Princesa Isabel, grande amiga de Dumont, deu a ele; o relógio Cartier feito especialmente para ele colocar no pulso e que fez moda entre os homens; documentos e esculturas superimportantes para a vida do aviador, em reconhecimento ao seu feito.

“A Encantada”, erguida na Rua do Encantado, antigo Morro do Encanto, assim batizada por seu criador, é símbolo de uma personalidade inventiva, amante das formas geométricas, avessa à complicação.  O interesse público em sua preservação está ligado ao reconhecimento dos feitos memoráveis de seu criador e ao grau de representatividade de seu projeto, testemunho da busca constante por soluções simples e criativas, aliadas a um forte sentimento de brasilidade.

Ficou curioso ou curiosa? Pois o Conhecendo Museus vai mostrar tudo para você!

A pequena cidade de Itabira, em Minas Gerais, guarda uma riqueza inenarrável: a vida e obra de um dos poetas mais expressivos do Brasil. Carlos Drummond de Andrade está mais vivo do que nunca em suas poesias, em seus desenhos (sim, ele fazia caricatura), em seus escritos e em seus objetos pessoais. E o Conhecendo Museus visitou o local e vai mostrar tudo a você.

O Memorial por si só já é uma obra de arte que merece ser visitada. Do lado de fora, uma poética vista de Itabira faz pano de fundo para sua estátua em bronze. Construído em uma área de aproximadamente 2 mil metros, o projeto, desenvolvido por Oscar Niemeyer, grande amigo do poeta, tem formato curvilíneo, um desafio para os engenheiros e mestres de obras acostumados a planos retos. Para tirar o projeto do papel, eles tiveram que usar ferramentas e métodos que fizessem o prédio ser curvado.

Abriga um grande acervo sobre a vida de Drummond, doados pela Fundação Cultural do Banco do Brasil, pela biblioteca da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, familiares e amigos. Lá, estão a primeira máquina de datilografia do poeta-cronista; uma coleção de cartas, recebidas de grandes autores e familiares; prêmios literários e obras de artes feitas em sua homenagem, rádio de pilha.

O visitante também pode conhecer um exemplar da revista que ele gostava de ler na infância e certificados do colégio em que estudou; cartas em que ele trocava com os amigos da pequena cidade, os poemas que não foram publicados e o recadinho da mãe, que de tão valioso ficou guardado até amarelar.

Os recortes das crônicas que o poeta escreveu para o Jornal “O Cometa” foram emolduradas na parede. Elas tiveram significado importante na vida do poeta. O jornal surgiu em 1979 quando a relação entre Drummond e a cidade estava estremecida, por causa da interpretação distorcida de uma das frases do poema “Confidência do Itabirano”, que diz: “Itabira é apenas um retrato na parede”. Ainda bem que tudo foi resolvido!

Ao acompanhar este programa especial, você também vai conferir a mostra assinada pela artista plástica Sandra Bianchi, que apresenta a biografia do poeta por meio de delicadas aquarelas.

Ah, e um detalhe curioso: localizado em um ponto privilegiado da cidade, para chegar ao Memorial é preciso percorrer uma estradinha de pedras. Carro só pode entrar com autorização da direção do museu. Para o visitante, a dica é ir a pé e deixar o carro na praça que fica ao lado do Memorial.

Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos mais importantes poetas brasileiros. Nasceu na cidade mineira de Itabira em 31 de outubro de 1902 e morreu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1987.

As belas praias, belezas naturais e o povo hospitaleiro fazem do Rio de Janeiro a Cidade Maravilhosa. Quem a visita nunca esquece e quem mora lá tem centenas de opções culturais, histórias e turísticas para conhecer e desfrutar a hora que quiser. Sorte!

E neste contexto está o Sítio Roberto Burle Marx, um verdadeiro oásis localizado na zona oeste da cidade, em Guaratiba. São mais de 400 mil m2, onde estão reunidas uma das mais importantes coleções de plantas tropicais e semitropicais do mundo. A belíssima propriedade foi adquirida em 1949 por Burle Marx e seu irmão, Siegfried. O local passou por reforma e, em 1973, o paisagista foi morar definitivamente lá levando consigo uma coleção de plantas que ele iniciou ainda na infância, aos 6 anos de idade.

O acervo do Museu-Casa possui 3.125 peças, incluindo obras do próprio Burle Marx, entre elas, pinturas, desenhos, tapeçarias, vidros decorativos, murais em azulejos e tecidos. Também fazem parte do acervo coleções de vidros decorativos diversos, imagens barrocas em madeira, cerâmica pré-colombiana e cerâmica primitiva oriunda do Vale do Jequitinhonha/MG.

E não para por aí, porque o acervo botânico é formado por cerca de 3.500 espécies de plantas cultivadas, cujas principais famílias botânicas são: Araceae, Arecaceae, Bromoliaceae, Cycadaceae, Heliconiaceae, Marantaceae e Velloziaceae. Pensa em um lugar lindo, tranquilo e rodeado por natureza. Ficamos todos encantados!

No ano de 1985, o Sítio Roberto Burle Marx foi doado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pelo próprio paisagista, com o objetivo que ele se tornasse uma escola de paisagismo, botânica e artes em geral, onde todo seu legado e sua paixão pelas plantas pudessem ser preservados. Em 1994, ano do falecimento de Burle Marx, o sítio foi aberto para visitação. E, em 2000, toda a propriedade foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No local, o público pode participar de atividades culturais, como concertos musicais, cursos e exposições, que são realizados ao longo do ano nos jardins do Sítio e no ateliê de Burle Marx. No Dia de Santo Antônio, 13 de junho, a comunidade de Guaratiba reúne-se para uma procissão religiosa, que se forma no portão de entrada e sobe o morro, passando pela alameda principal até a Capela. Ao final da missa, as crianças fazem a coroação de Santo Antônio. Durante o resto do ano, aos domingos, a Capela é também usada pelos habitantes da comunidade, como já faziam seus antepassados há 300 anos.

Venha conhecer com a gente o Sítio Roberto Burle Marx e se maravilhar com este espaço ímpar no cenário cultural brasileiro.

É por meio da fantasia que o Museu Histórico, Folclórico e Pedagógico Monteiro Lobato mantém viva toda a narrativa desse grande escritor brasileiro que se formou advogado e sonhava ser pintor. O local abriga toda a história, a cultura, o colorido e a alegria com que o escritor se dedicava a fazer o seu trabalho.

Localizado na cidade de Taubaté, distante 142 quilômetros da capital paulista, o casarão do século 19 que abriga hoje o museu pertenceu ao avô de Monteiro Lobato, que viveu no local até os seus 16 anos. O estilo é rústico com grandes portas e janelas com padrões europeus da época. Também possui uma extensa área verde e espaços para apresentações teatrais com os personagens do Sítio.

Nosso passeio foi regado de bom humor e alegria com as presenças ilustres de Emília, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Anastácia e Pedrinho. Toda a turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo participou do programa apresentando o museu de forma lúdica e criativa. Aliás, esse é um dos diferenciais de lá. Os personagens ficam passeando pelo sítio, apresentando as dependências aos visitantes, brincando e se divertindo com todo mundo.

O local possui um acervo com objetos pessoais, as primeiras edições dos livros do escritor, fotografias, mobiliário, objetos pessoais, banco de textos, bibliografia, documentações e uma vasta biblioteca com obras de Lobato e de outros escritores. O público também pode conhecer a exposição permanente Lobato – Vida, Realidade e Sonho, que apresenta curiosidades sobre a vida e obra de Monteiro Lobato.

Para manter viva a obra e a memória de Monteiro Lobato, o museu realiza oficinas culturais e recentemente foi lançado um projeto literário batizado de Lobatinhos do Futuro. A ideia é incentivar a escrita por meio da leitura.

José Bento Renato Monteiro Lobato nasceu da cidade de Taubaté, interior de São Paulo, em 18 de abril de 1882). Foi um dos mais influentes escritores brasileiros e ficou popularmente conhecido por suas obras educativas para as crianças. Também é autor de contos, crônicas, prefácios, e um único romance.

Formado em Direito, Lobato atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber herança deixada pelo avô. Diante de um novo estilo de vida, passou a publicar seus primeiros contos em jornais e revistas, sendo que, posteriormente, reuniu uma série deles no livro Urupês, sua obra prima como escritor. Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou Lisboa, Monteiro Lobato tornou-se também editor, passando a editar livros também no Brasil. Com isso, ele implantou uma série de renovações nos livros didáticos e infantis.

Uma das antigas chácaras de Botafogo, bairro preferido como área residencial pela aristocracia brasileira, está a casa de Rui de Barbosa. Um ano após a morte do líder político, em 1923, o imóvel foi comprado pelo governo com tudo dentro, como a biblioteca, mobiliários e os arquivos que viraram um museu invejável. Em nossa última visita ao Rio de Janeiro fomos conhecer este belíssimo local.

Inaugurado em 13 de agosto de 1930 pelo Presidente da República Washington Luís, é considerado o primeiro museu-casa do Brasil, por ser o primeiro dedicado a uma personalidade. O local abriga a memória da vida privada e pública de Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923), jornalista, jurista, político, diplomata e um exímio orador. Atuou como deputado, senador, candidato à Presidência da República, participou de todas as grandes questões políticas e sociais da época, coautor da Constituição da Primeira República, e foi presidente da Academia Brasileira de Letras substituindo Machado de Assis.

A casa foi construída em 1850 pelo primeiro Barão da Lagoa, que se chamava Bernardo Casimiro de Freitas, um rico comerciante português.  A construção está instalada em meio a um jardim histórico, com elementos românticos, entre caramanchões, pontes, lago em forma de rio, cascatas e quiosques. Com mais de 9.000m² é uma importante área verde para o bairro, recebendo seus moradores, diariamente, que buscam momentos de reflexão e de lazer. Mangueira, jabuticabeiras, parreiras, pitangueiras, fruta-pão, roseiras, magnólias, pérgulas, coreto, enfim, uma miragem parada no tempo e no espaço da cidade.

Internamente, o local é um convite à história do Brasil, a começar pelo nome dos ambientes, que representa cada momento marcante na vida pública de Rui Barbosa. Lá, visitamos a “Sala Casamento Civil”, que ganhou o nome em razão da atuação de Rui pela obrigatoriedade do casamento civil; a “Sala Bahia”, em homenagem ao Estado onde nasceu; a “Sala Questão Religiosa”, que apresenta o interesse de Rui por este assunto;  a “Sala Maria Augusta”, em homenagem à sua esposa, com quem foi casado por 46 anos; a “Sala Constituição”, considerado o ambiente mais importante da Casa por ser a biblioteca de Rui Barbosa, e por aí vai …

Aliás, a biblioteca foi organizada ao longo de sua vida e reúne 37 mil volumes. Há livros sobre os mais variados ramos do conhecimento. A maioria das obras são jurídicas. Uma curiosidade é que Rui Barbosa possuía as legislações de todos os países, suas constituições, os códigos e as leis civis, comerciais, penais e processuais. Colecionava as obras dos maiores jurisconsultos dos séculos XIV ao XVII. Entre os exemplares, as Leis do Brasil (1808 a 1923), os Anais da Assembleia Constituinte (1823 e 1891), da Câmara (1826 a 1923) e do Senado (1826 a 1923).

E o jardim? Ah, o jardim é um detalhe a parte. É uma das poucas áreas verdes de Botafogo, o que lhe dá importância ecológica e social. Por seu valor histórico e artístico, o jardim e a Casa formam um valioso conjunto arquitetônico, protegido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1938. É considerado um jardim histórico, conforme definição da Carta de Florença, documento de 1981, que estabelece os princípios para a preservação de jardins. A vegetação ainda é bem semelhante a da época de Rui Barbosa, que gostava de cultivar novas espécies.

E entre muita história, muitas curiosidades e, claro, muitos detalhes, o Conhecendo Museus vai apresentar tudo pra vocês, sem esquecer de nada =)

Ah, a Bahia. Tantas belezas, tantas histórias. Em nossa visita, fomos conhecer a casa onde nasceu Maria Bonita, a “rainha do cangaço”, localizada no povoado Malhada da Caiçara, zona rural do município, a 38 km do centro de Paulo Afonso. Até chegar ao nosso destino, percorremos belíssimas paisagens e passamos literalmente pela história do cangaço no Brasil. Entre rios, pedras e caminhos do sertão fomos conhecendo de perto tudo sobre essa fantástica história.

A construção — uma casa de reboco de 50 metros quadrados — abrigou a cangaceira de 1911 a 1929, quando ela conheceu Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Depois de passar por uma restauração, o imóvel virou ponto turístico da cidade, em 2006. Até hoje na vizinhança da casa ainda vivem os parentes da família de Maria Bonita.

Maria Gomes de Oliveira nasceu e cresceu no povoado Malhada da Caiçara, que se localiza no município Paulo Afonso, na época município Glória, na Bahia. Depois de um casamento fracassado, no qual não gerou filhos, em 1929 tornou-se a namorada Lampião, o “Rei do Cangaço”. Morando na chácara dos pais, um ano depois do namoro ela foi chamada por Lampião para fazer efetivamente parte do bando de cangaceiros, se tornando a mulher dele, com quem viveria por oito anos.

No local, estão expostos alguns objetos da família, da história de Maria Bonita e reproduções de fotos dos cangaceiros. Há uma foto na parede em que mostra ela com anéis de ouro nos dedos e ouro no lenço de pescoço. Vale ressaltar que Maria Bonita gostava de se manter bem arrumada mesmo com a imagem atípica de uma fugitiva em esconderijos.

Alguns objetos valiosos de Maria Bonita estão sob a guarda de João de Sousa Lima, coordenador do Museu, como uma pulseira de ouro e uma corrente, além dos punhais e armas que estão em posse do exército, mas, que serão repassadas ao museu.

Maria Bonita morreu em 28 de julho de 1938, quando o bando acampado na Grota de Angicos, em Poço Redondo (Sergipe), foi atacado de surpresa pela polícia armada oficial (conhecida como “volante”). Foi degolada ainda viva, assim como Lampião, porém este já morto, e outros nove cangaceiros.

E aqui fica o nosso convite mais do que especial para você vir conhecer com a gente todos os detalhes dessa história de luta, de guerra e de amor que faz parte da nossa cultura brasileira.

“…A gente morre é para provar que viveu”.

Este discurso é do memorável escritor, médico e diplomata Guimarães Rosa. Ele disse essas palavras ao assumir, em 1967, a Academia Brasileira de Letras. Morreu três dias depois. Muitos dizem que parecia um presságio, outros afirmam ser apenas uma coincidência. O fato é que o escritor de Grande Sertão: Veredas deixou para a literatura nacional um legado de emoções.

Viajamos até a cidade de Cordisburgo, em Minas Gerais, para conhecer de perto a Museu Casa Guimarães Rosa — que hoje abriga um bom acervo da vida e obra do escritor — e onde ele morou com sua família desde seu nascimento, em 1908, até os 9 anos de idade. Logo depois, foi morar e estudar em outros locais.

Inaugurado em março de 1974, o museu tem dois fatos que originam seu surgimento. O primeiro deles foi o inesperado falecimento do escritor, em 1967. O segundo foi a criação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, em setembro de 1971, que materializava o sonho preservacionista que vigorava na época.

Localizada na Rua Padre João, esquina com a Travessa Guimarães Rosa, a Casa apresenta varanda lateral, cunhais de madeira pintada, paredes de adobe, cobertura em duas águas (tipicidade do telhado), vãos internos em linhas retas e acabamento singelo. Conserva planta e arquitetura originais, concebido como centro de referência da vida e da obra do escritor mineiro e como núcleo de informações, estudos, pesquisa e lazer.

Hoje é um museu que reúne bom acervo de fotos, coleção com as ilustres gravatas-borboleta, aproximadamente 700 documentos textuais, toda a obra literária, originais manuscritos ou datilografados, a exemplo de Tutaméia (última obra publicada), matrizes de xilogravuras usadas em volumes como Corpo de Baile (1956), espada, bainha e diploma da Academia Brasileira de Letras, máquina de escrever, rascunhos de trabalhos e outros objetos pessoais.

Preserva também outros registros da vida de Guimarães Rosa  como médico e diplomata, objetos de uso pessoal, vestuário, utensílios domésticos, mobiliário e fragmentos do universo rural presente na literatura roseana. Aliás, esse fato está ligado ao fato do escritor ter morado na cidade mineira de Itaguara, onde permaneceu por dois anos, e onde passou a ter contato com elementos do sertão.

Um detalhe bem interessante é que em um cômodo frontal da casa foi reconstituída uma venda típica das existentes nas pequenas cidades mineiras, para representar o antigo comércio de Floduardo Pinto Rosa, pai do escritor. Na “venda de seu Fulô”, o menino Joãozito cresceu ouvindo histórias contadas pelos frequentadores do lugar.

E é neste cenário do campo, do sertão, que vamos mostrar a vocês toda essa fantástica e cultural história de Guimarães Rosa. Você não pode perder!

Brodowski. O nome é diferente e soa até estranho. À primeira vista parece que estamos falando de um local ou de alguém fora do Brasil. Mas, não. A pequena cidade com um pouco mais de 20 mil habitantes está localizada no interior do Estado de São Paulo. E o Conhecendo Museu desembarcou por lá para mostrar a você o Museu Casa de Portinari.

O próprio nome já diz tudo. O local foi residência da família de Portinari (filhos de imigrantes italianos) e ao longo dos anos foi criando sua identidade de museu. Inaugurado em 14 de março de 1970, o museu é constituído por uma casa principal e anexos construídos em sucessivas ampliações.

Os visitantes têm à disposição uma maquete digital que mostra as modificações da casa ao longo do tempo. Vale ressaltar que com a ajuda de amigos da família, a casinha foi construída quando a região estava começando a ganhar ares de cidade. Em torno dela, outras foram surgindo à medida que os parentes foram chegando. O resultado é um conjunto de casinhas de construção vernacular.

O acervo do Museu é formado principalmente de trabalhos realizados pelo artista em pintura mural, nas técnicas de afresco e têmpera, nas paredes da casa. Sim, Portinari pintava nas paredes! Durante restaurações feitas no local, especialistas descobriram diversas pinturas, entre elas o afresco São Francisco de Assis Pregando pintado em uma das paredes da varanda da casa.

Também faz parte do acervo uma coleção de desenhos, linguagem expressiva e significativa na produção de Candido Portinari, presente em todos os momentos de sua carreira. O museu ainda abriga objetos de uso pessoal, mobiliário e utensílios da família, sendo que alguns cômodos permanecem com suas funções originais e outros foram adaptados para salas de exposições.

Candido Portinari pintou mais de cinco mil obras, entre elas grandes murais como o famoso Guerra e Paz, e as de tamanho padrão como O Lavrador de café. O artista foi o primeiro a alcançar projeção internacional.

Convidamos você a vir conhecer com a gente este fantástico e cultural Museu brasileiro!

A história do Brasil com certeza passa pelo Rio Grande do Sul. São batalhas — a exemplo da Guerra dos Farrapos e Guerra do Paraguai — o amor dos gaúchos pela sua cultura regional, as belas paisagens, os produtos exportados para outros estados brasileiros e até outros países, entre tantos outros exemplos.

Neste cenário, o Conhecendo Museus desembarcou na cidade de Cruz Alta, localizada a 350 quilômetros da capital Porto Alegre, para mostrar a vocês um espaço riquíssimo culturalmente e que apresenta aos seus visitantes boa parte desta história através do olhar e das obras do escritor Erico Veríssimo.

Este importante escritor brasileiro do século XX deixou um legado para as futuras gerações. O Memorial Erico Verissimo é composto por originais datilografados com inúmeras observações manuscritas, cadernos de anotações, desenhos, correspondências e fotos, complementados por rica fortuna crítica, ocupando dois andares do Centro Cultural CCEV.

Os ambientes levam o visitante a conhecer vida e obra de Erico através de vitrines, painéis, estruturas interativas e outros recursos visuais, sonoros e táteis. Uma experiência singular para quem deseja conhecer um pouco mais sobre o autor de O Tempo e o Vento, de Incidente em Antares e de outros clássicos que posicionam este escritor entre os maiores nomes da nossa literatura.

A casa que abriga o museu é muito antiga, foi construída em 1883 e tem uma estrutura muito original. Erico nasceu nessa residência em 17 de dezembro de 1905. Na Sala da Terra, os visitantes podem conhecer o “Álbum de Família”, onde é apresentado todos os membros da família Veríssimo. Pela sua importância histórica e cultural, a casa foi tombada pelo IPHAE em 1984.

A carreira literária de Erico se despontou quando ele mudou para Porto Alegre, em 1930. Lá, ele teve contato com diversos outros escritores já renomados, a exemplo de Mário Quintana. O primeiro livro de sua autoria, na categoria “contos”, é lançado em 1932 com o título Fantoche. E o primeiro romance surge em 1933 com o nome Clarissa, nome que deu a sua filha.

Erico Veríssimo é um dos autores brasileiros mais conhecidos no exterior, com obras editadas em mais de 15 idiomas. Ao longo de sua carreira escreveu 36 obras, entre romances, novelas, contos, memórias, narrativas infanto-juvenis e de viagens.

Mazzaropi é, sem dúvida, um grande ícone no cenário cultural brasileiro. E não poderia faltar um local onde reunisse e preservasse toda essa história de sua vida e de sua obra. O museu que leva o seu nome foi criado em 1992, e está localizado no Hotel Fazenda Mazzaropi, em Taubaté, interior de São Paulo, onde foi produzido a maioria de seus filmes.

No acervo do local há mais de 20 mil itens, entre fotos, filmes, documentos, objetos cênicos, móveis e equipamentos que contam um pouco a carreira do artista. Para recuperar boa parte do acervo foi preciso reunir o material que estava com fãs e pessoas que trabalharam com Mazzaropi por meio de doação.

Após a morte do artista e cineasta, em 1981, o patrimônio construído por ele durante uma bem-sucedida carreira não teve continuidade e tudo o que havia nos estúdios – câmeras, equipamentos, figurinos, cenários, fotos, carros equipados para externas – foi leiloado, vendido ou extraviado.

Neste programa especial do Conhecendo Museus você vai ver de perto detalhes da vida e da obra desse artista com expressão nacional e também internacional por meio deste rico acervo. Para facilitar a compreensão e grandiosidade do público, ele está dividido em: Museólogo, Fotografias, Bibliográfico, Audiovisual e Arquivístico. É a história do cinema nacional contada a partir de Mazzaropi, tão importante neste contexto.

A carreira desse artista se resume nada mais nada menos que 32 filmes entre 1952 e 1980, chegando a atrair mais de oito milhões de espectadores em um único longa-metragem. Ele deu vida ao imortal e carismático estereótipo do homem do campo. Seu personagem, caipira e ingênuo, mas com doses de malícia, conquistou a simpatia das massas populares, que garantiam as sessões lotadas em todos os seus filmes.

Sua estreia nas telas foi em Sai da frente, no papel de Isidoro, um motorista de caminhão que deixa o carro desgovernado em plena cidade de São Paulo. A partir daí seguiu caminhando em pequenas, médias e grandes apresentações consolidando seu nome no cinema brasileiro, além de programas de tv e no teatro.

Em 1958, Mazzaropi funda a PAM Filmes (Produções AmácioMazzaropi), em modernos estúdios em Taubaté, e lá realizou 23 longas-metragens. Os maiores sucessos foram Jeca Tatu (1959) e Casinha pequenina (1963), ambos contabilizando oito milhões de pagantes cada. Seu último trabalho no cinema foi O Jeca e a Égua Milagrosa, de 1980. No ano seguinte, morreu aos 69 anos, vítima de um câncer na medula.

A visita ao Museu Mazzaropi é fantástica. É uma viagem ao passado, mas com ar de futuro porque os avanços que o cinema nacional tem hoje em dia deve-se ao sucesso desse tempo em que Mazzaropi e tantos outros fizeram pela história.

Venha viajar e conhecer conosco este importante local de cultura e história. Você é nosso convidado especial!

Recordar é viver! Um dos maiores nomes da música popular brasileira e estrela internacional, Clara Nunes está eternizada em um memorial que leva o seu nome, localizado na cidade de Caetanópolis, interior de Minas Gerais. Inaugurado em 11 de agosto de 2012, o local é um oásis para os fãs de Clara, que deixou um legado cultural para a nossa boa música.

O acervo é testemunho fundamental da trajetória dessa importante cantora. São mais de 6 mil itens catalogados e mais algumas centenas a serem enumeradas. Todos os itens são bem preservados primando pela qualidade e respeito com a cantora e com seus admiradores. A maioria das peças expostas foram doadas pelo marido de Clara, o compositor Paulo César Pinheiro, e por fãs.

A visita ao universo de Clara Nunes começa pela Fé, traço marcante em sua vida e que ela fez questão de tornar público através de sua obra. Seu trânsito por diferentes universos religiosos, com seriedade e convicção, foi fundamental para que ela entendesse o seu canto como uma missão.

As guias que usava estão penduradas no teto, o chão é forrado de conchinhas trazidas da praia e representam a presença do mar na obra da cantora e o seu significado no universo das religiões afro-brasileiras, o oratório com os santos de devoção, os Pretos Velhos, a Pomba do Espírito Santo. Filha de Ogum e Yansã, Clara nunca negou sua fé.

A mostra também conduz o visitante a um passeio pelos principais momentos marcantes da carreira de Clara, no início dos anos 1980, com a gravação do LP Brasil Mestiço e o show “Clara Mestiça”. As roupas usadas no clip da música e a famosa tornozeleira estão expostas no local e nos remetem a marcantes e inesquecíveis momentos.

Na parede, um painel cronológico batizado de Vida e Obra apresenta as principais etapas da trajetória artística que transformou Clara Nunes em cantora das raízes da Cultura Popular Brasileira. Ela ganhou prêmios importantes, como o Roquete Pinto, o mais cobiçado da época, foi acompanhada pelo Conjunto Nosso Samba e trabalhou com grandes produtores e cenógrafos.

Ainda fazem parte do acervo telas, objetos de decoração, roupas, fantasias, colares, pulseiras, adereços que se tornaram símbolo do figurino de Clara Nunes e ajudaram a construir uma mensagem visual única e impactante. O passaporte é testemunha de um tempo passado que continua presente. No acervo há registros por meio de fotos, cartazes, recortes de jornais, cartões postais, roupas e chinelos da passagem da cantora pelo Japão.

O mural de fotos da cantora e amigos em momentos de descontração é um destaque à parte. O memorial também presenteia o público com um documentário feito exclusivamente para ser exibido e levar os fãs e admirados ao túnel do tempo.

O memorial atua em diferentes frentes, como atendimento a pesquisas acadêmicas e artísticas, apoio a projetos educacionais e parcerias na realização de festivais. Venha matar a saudade dessa importante cantora e ícone da nossa música visitante o Memorial Clara Nunes.

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